[vc_row][vc_column width=”1/3″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vcex_navbar menu=”6″ button_color=”black” font_weight=”” hover_bg=”#c7aae2″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Somos o país mais perigoso para ativistas ambientais, de Sinara Gumieri.
Publicado originalmente por Justificando, em 28 de junho de 2016.

A organização não governamental Global Witness acaba de conceder ao Brasil um título trágico: somos o país mais perigoso para ativistas ambientais. Apenas em 2015, 50 defensores da terra e do meio ambiente foram mortos por aqui. As Filipinas vieram em segundo lugar no ranking, com 33 assassinatos no ano passado. Os enredos mais frequentes dos casos brasileiros registrados são de comunidades rurais da Amazônia resistentes ao desmatamento e outros interesses de latifundiários, e o massacre de povos indígenas cujas terras não demarcadas são predadas pelo agronegócio.

Não há sinais de que 2016 nos afastará do pódio da destruição. Dois dias depois do anúncio da lista da Global Witness, foi encontrado o corpo da pescadora Nilce de Souza Magalhães, militante do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), desaparecida há cinco meses. Nilce denunciava violações de direitos humanos contra comunidades ribeirinhas pelo grupo empresarial responsável pela usina hidrelétrica de Jirau, em Rondônia. Enquanto suas denúncias tramitavam na forma de inquéritos junto ao Ministério Público, seu corpo, amarrado a pedras, foi mantido submerso no rio de onde tirava a subsistência minguada pelas barragens.

Uma semana antes, 70 fazendeiros em caminhonetes emboscaram e abriram fogo contra mil índios Guarani Kaiowá reunidos próximo à aldeia Te’ Ýikuê, no Mato Grosso do Sul. O líder e agente de saúde indígena Cloudione Rodrigues Souza, de 26 anos, morreu no ataque, e pelo menos outras seis pessoas foram feridas, incluindo uma criança de 12 anos. O grupo indígena ocupava uma área já reconhecida pela Funai como terra indígena, mas ainda não demarcada.

Nosso espanto diante da matança de quem tenta sobreviver ao agronegócio e à exploração ambiental não é compartilhado pelas vítimas da violência. Antônio Isídio Pereira da Silva, líder comunitário do povoado de Vergel, no Maranhão, e conhecido por denunciar a extração ilegal de madeira na área, foi assassinado em dezembro de 2015. Em entrevista à Global Witness, seu primo, Antônio Francisco de Souza, anunciou seu destino: “O governo nunca veio (…). E dizem que meu fim vai ser como o fim dos que foram mortos em Vergel. Eu acho que sim, porque não tem justiça. A justiça é dos poderosos, dos que têm dinheiro.” Em vídeo de protesto contra o recente ataque aos Guarani Kaiowá, a ativista indígena Ysani Kalapalo traduz o discurso indiferente da elite do desenvolvimento: “’em nome do progresso vamos ter que matar alguns índios, e pronto.’ Vocês realmente acham que estão certos?”.

Não estamos. O silêncio dos grandes veículos de notícias e os investimentos genocidas do Estado brasileiro querem nos fazer cúmplices de uma colonização que já tem cinco séculos, e hoje transmuta-se em projetos desenvolvimentistas que se alimentam de comunidades e povos inteiros. Nosso espanto tem que ganhar voz nos recordes de destruição, e tem que ganhar corpo na resistência.

Sinara Gumieri é advogada e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética. Este artigo é parte do falatório Vozes da Igualdade, que todas as semanas assume um tema difícil para vídeos e conversas. Para saber mais sobre o tema deste artigo, siga https://www.facebook.com/AnisBioetica.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vcex_social_links social_links=”%5B%7B%22site%22%3A%22youtube%22%2C%22link%22%3A%22https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fchannel%2FUCLEnSx2zVwo3KPpCU5h64_w%22%7D%2C%7B%22site%22%3A%22facebook%22%2C%22link%22%3A%22https%3A%2F%2Fpt-br.facebook.com%2FAnisBioetica%22%7D%2C%7B%22site%22%3A%22twitter%22%2C%22link%22%3A%22https%3A%2F%2Ftwitter.com%2Fanis_bioetica%3Flang%3Dpt%22%7D%5D” style=”minimal-rounded” align=”right” size=”20″ width=”30″ height=”30″][/vc_column][/vc_row]