[vc_row][vc_column width=”1/3″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vcex_navbar menu=”6″ button_color=”black” font_weight=”” hover_bg=”#c7aae2″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]Se houve ou não terror em Orlando, não podemos esquecer do horror homofóbico, de Sinara Gumieri.
Publicado originalmente por Justificando, em 21 de junho de 2016.

Notícias têm um roteiro de perguntas a responder: o que, quando, onde, quem, como. Ao longo de um domingo de tragédia, as respostas foram se desenrolando: em uma madrugada de festa latina, um atirador invadiu uma casa noturna dedicada a pessoas LGBT em Orlando, Flórida. O homem abriu fogo contra a multidão que se divertia: matou 49 pessoas, feriu outras 53. Foi morto em confronto com a polícia depois de manter pessoas reféns dentro da boate por algumas horas.

Uma das vítimas fatais, Eddie Justice, anunciou a própria morte e o amor pela mãe em mensagens de texto trocadas antes de ser baleado. Brenda Lee McCool, que ia anualmente a paradas LGBT demonstrar amor à sua família, colocou-se na frente do filho de 21 anos quando avistou o atirador, e morreu salvando-o.

Não esquecer da homofobia é resistir
Juan Guerrero e Christopher Leinonen estavam juntos há dois anos e tinham planos de casamento; família e amigos disseram adeus ao casal reconhecendo sua união em um funeral conjunto. Conhecer as histórias de quem perdeu a vida na boate Pulse é necessário para nomear a violência odiosa contra quem vive fora da heteronorma, contra quem desafia a heterossexualidade compulsória para amar e desejar em diversidade.

O matador invadiu um espaço tido como seguro para quem teve que aprender que abraçar, beijar e existir em público é arriscado. O ataque em Orlando foi homofóbico. Mas o enquadramento da tragédia segue em disputa. O atirador era estadunidense de família afegã, e teria expressado interesse em ações do Estado Islâmico, que movimenta um projeto político baseado em violência e pretextos religiosos. Com isso, a pátria da guerra ao terror passou a falar em ato terrorista, e multiplicaram-se as notícias que trocaram as vítimas da barbárie por falas de presidenciáveis sobre controle de fronteiras e guerra como estratégia de paz.

Se houve ou não terror em Orlando, não podemos esquecer do horror homofóbico. Não podemos esquecer das vidas que, reunidas em um mesmo espaço para celebrar em segurança vivências do corpo e da sexualidade que fogem do roteiro heterossexual, foram convertidas em alvos indefesos. Não esquecer da homofobia é não fechar os olhos para as tentativas de fundamentalistas religiosos em espalhar ódio em meio ao sepultamento das vítimas; é questionar o aprendizado da violência em escolas omissas; é enlutar-se lutando entre filas quilométricas de doadores de sangue para vítimas e paradas LGBT. Não esquecer da homofobia é resistir.

Sinara Gumieri é advogada e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética. Este artigo é parte do falatório Vozes da Igualdade, que todas as semanas assume um tema difícil para vídeos e conversas. Para saber mais sobre o tema deste artigo, siga https://www.facebook.com/AnisBioetica.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vcex_social_links social_links=”%5B%7B%22site%22%3A%22youtube%22%2C%22link%22%3A%22https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fchannel%2FUCLEnSx2zVwo3KPpCU5h64_w%22%7D%2C%7B%22site%22%3A%22facebook%22%2C%22link%22%3A%22https%3A%2F%2Fpt-br.facebook.com%2FAnisBioetica%22%7D%2C%7B%22site%22%3A%22twitter%22%2C%22link%22%3A%22https%3A%2F%2Ftwitter.com%2Fanis_bioetica%3Flang%3Dpt%22%7D%5D” style=”minimal-rounded” align=”right” size=”20″ width=”30″ height=”30″][/vc_column][/vc_row]