Publicado originalmente no site do Conselho Federal de Psicologia

Grupo de trabalho sobre saúde mental e aborto da Associação Americana de Psicologia (APA) indica limitações metodológicas de estudos que tentam inferir essa premissa

Em consideração às afirmações feitas durante audiência pública sobre a Arguição de Descumprimento de Preceito Federal (ADPF) 442 de que o aborto em si produz adoecimento psíquico, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reafirma a impossibilidade de estabelecimento de relação unicausal entre o aborto em si e saúde mental das mulheres. A avaliação cientificamente informada do grupo de trabalho sobre saúde mental e aborto da Associação Americana de Psicologia (APA) indicou limitações metodológicas de estudos que tentam inferir tal premissa.

Ao privilegiarmos a singularidade do sujeito, observamos que a experiência com o aborto é vivenciada de modo diverso pelas mulheres, sobretudo considerando marcadores relevantes na conformação de tal prática, como classe, raça, gênero, orientação sexual, idade e região. Entretanto, ressaltamos que o modo estigmatizante com que o aborto é tratado, por parte da sociedade, pode se configurar como fator de risco para a saúde integral das mulheres que realizam aborto no Brasil.

A conselheira Sandra Sposito e a psicóloga e pesquisadora sobre moralidades, saúde mental e aborto Letícia Gonçalves representaram o CFP na audiência pública realizada, dias 3 e 6 de agosto, na sede do Supremo Tribunal Federal.