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Mulheres ainda têm dificuldades em realizar aborto legal, diz pesquisa

Mesmo em casos permitidos por lei, mulheres sofrem com burocracia

Por Tatiana Alves

31 de julho, 2026

Publicado originalmente em Radioagência Nacional.

Uma pesquisa inédita revela que adolescentes e mulheres que recebem o diagnóstico de fetos com malformações incompatíveis com a vida continuam enfrentando obstáculos para interromper a gestação e, muitas vezes, precisam buscar autorização da Justiça para ter acesso ao procedimento.

O estudo foi realizado pela Anis – Instituto de Bioética, em parceria com a Universidade de Brasília, a Defensoria Pública da Bahia e a Fiocruz.

Os pesquisadores analisaram 138 casos acompanhados pela Defensoria baiana entre 2022 e 2025 e ouviram mulheres que passaram por essa situação.

Segundo o levantamento, embora o Supremo Tribunal Federal tenha decidido em 2012 que a ATP, antecipação terapêutica do parto, é permitida em casos de anencefalia, mulheres com outras malformações fetais incompatíveis com a vida ainda precisam recorrer aos tribunais.

Sobre essa resistência de profissionais de saúde em realizar a ATP mesmo com o laudo médico atestando a necessidade do procedimento, a integrante da pesquisa e diretora da Anis, Gabriela Rondon, avalia que interpretações mais restritivas da decisão dificultam o acesso dessas mulheres a essa intervenção:

“Todas as hipóteses em que há exceção à criminalização do aborto, elas são bastante estreitas. Fazem com que os profissionais, em regra, tenham muito receio de fato estar diante de um caso que é elegível, né, que se enquadra exatamente nas hipóteses da lei ou não. E diante de qualquer sinal de dúvida, temendo a própria criminalização, eles repassam esse temor às mulheres e antes preferem negar o cuidado a sofrer qualquer risco de responsabilização”, diz.

A pesquisa mostra que a atuação articulada entre a Defensoria Pública, o Judiciário e os serviços de saúde na Bahia tem contribuído para agilizar decisões e garantir atendimento.

Mesmo assim, a necessidade de autorização judicial continua sendo apontada como uma barreira e a imposição de um sofrimento que poderia ser evitado.

Depoimentos reunidos pelo estudo indicam que o período de espera gera medo, ansiedade e sensação de exposição.

Algumas entrevistadas também relataram episódios de negligência e violência obstétrica durante o atendimento.

Além disso, os pesquisadores identificaram dificuldades como a falta de protocolos assistenciais padronizados, desinformação e objeção de consciência por parte de profissionais de saúde.

O relatório destaca que a antecipação terapêutica do parto é um procedimento considerado seguro e de baixa complexidade.

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