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Por Debora Diniz e Ilana Ambrogi.

18 de junho, 2026

Mulheres percorrem mais de 1.300 km para acessar aborto legal no Brasil

Um estudo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública analisou 111 casos de mulheres, adolescentes e meninas que precisaram se deslocar para realizar um aborto legal entre fevereiro e novembro de 2025. Os dados mostram que a distância média percorrida foi de 1.307 km, e mais da metade viajou mais de 1.000 km. Quase todos os casos (98,2%) eram decorrentes de estupro. A maioria das mulheres procurou atendimento ainda antes da 12ª semana de gestação (67,6%), quando o procedimento é considerado de baixa complexidade, mas enfrentou barreiras como recusa de atendimento, ausência de médicos e de serviços de referência e exigências indevidas. O perfil das mulheres também revela vulnerabilidade social: 69,3% tinham renda familiar de até dois salários mínimos, 49,5% eram negras e 36% precisaram de apoio financeiro para conseguir viajar.

O que o estudo revelou sobre o acesso ao aborto legal no Brasil?

O estudo identificou que mulheres e meninas que têm direito ao aborto legal continuam enfrentando barreiras importantes para acessar o atendimento. Entre as dificuldades mais frequentes estão a recusa de assistência, a ausência de médicos e de serviços de referência e a exigência de documentos ou procedimentos que não são necessários para garantir o direito previsto em lei.

Qual foi o principal impacto dessas barreiras?

O principal impacto foi a necessidade de longos deslocamentos. As 111 mulheres, adolescentes e meninas analisadas percorreram, em média, 1.307 km para acessar o aborto legal, e mais da metade precisou viajar mais de 1.000 km. Em alguns casos, a distância ultrapassou 4.800 km entre ida e volta. As autoras observam que essas viagens aumentam o tempo de espera e podem comprometer o acesso oportuno ao atendimento.

O que os resultados indicam para as políticas públicas?

Os dados sugerem a necessidade de ampliar e descentralizar a oferta de aborto legal no país. Como a maioria das mulheres procurou atendimento ainda no primeiro trimestre da gestação, quando o procedimento é de baixa complexidade, as autoras defendem a ampliação da assistência em nível comunitário e na atenção primária, incluindo a participação de profissionais da enfermagem, conforme recomenda a Organização Mundial da Saúde.

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