Orgulho de ser hétero: as fronteiras entre a fala livre e a odiosa

nov 10, 2015 @ 14:52|arquivo, notícia|

Texto publicado no portal Justificando   Eles são inseguros, mas têm orgulho de ser machos e muitos. Descrevem-se como representantes do movimento “orgulho hétero”, reclamam dia nacional de combate à heterofobia, apresentam panteão próprio de heróis e representantes políticos. Desconheço mulheres participantes do “orgulho hétero”, talvez porque a veadagem incomode mais aos homens machos que [...]

Tragédias nas mídias sociais

nov 4, 2015 @ 17:24|Vozes|

Um rompimento de barragem que fez uma vila inteira desaparecer sob lama. Um atentado terrorista cometido em vários locais de uma grande cidade. As notícias de Bento Rodrigues e de Paris – que poderiam ser ainda de Beirute ou de Mali – são de tragédias, e encheram redes sociais de mensagens de tristeza e espanto, hashtags de solidariedade e também comparações – por qual tragédia se chorou mais? Luto não se hierarquiza, mas não é esse o ponto da questão.

Patroas e babás

ago 20, 2015 @ 16:33|Vozes|

Uma apresentadora de tevê branca e loira compartilha uma foto de suas babás negras. A apresentadora elogia as roupas das moças — “descoladas” foi sua palavra. De quebra, elogia a si mesma na estética e nas regras da casa, pois, como patroa, não exige que as moças usem uniforme branco. O que há de errado com uma foto bem-intencionada, tão parecida com outras formas de vida em espetáculo nas redes sociais? Com a foto em si, talvez nada. As moças sorriem, parecem concordar com o clique. É do lado de cá, de quem admira a foto, que a complicação começa. Imagens não são interpretadas no vazio — atraem outras imagens que direcionam o olhar. E o que a foto atrai? Nosso recente passado de sinhás cordiais com escravas negras, nosso presente de hierarquia racial, em que muitas são as babás negras e poucas as modelos negras. A foto feliz nos perturba ao lembrar a desigualdade racista que não temos direito de esquecer, e que nossas boas intenções, sozinhas, não fazem sumir.

Bandidos e STF

ago 17, 2015 @ 16:36|Vozes|

Os três réus furtaram chinelos, sabonetes e bombons, respectivamente. Alguém fez o cálculo do prejuízo total, 94 reais. No Supremo Tribunal Federal, ministros se reuniram, debateram e decidiram que não havia perdão — nos termos da lei, discutiu-se a aplicação do “princípio da insignificância”.

A bicicleta e a faca

jun 26, 2015 @ 20:42|Vozes|

Ele é um menino. Uma quase criança, ou um quase adulto. Mas se fez de bandido: com uma faca, matou o médico Jaime Gold. Jaime morreu: teve um fim brutal e imerecido. Sofremos pela vítima, e precisamos nos perguntar — por que isso acontece?