[vc_row][vc_column width=”1/3″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vcex_navbar menu=”6″ font_weight=””][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]No último domingo, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. O critério da votação deveria ter sido se Dilma cometeu crime de responsabilidade. Mas a criatividade parlamentar foi longe, e muitos deputados que votaram pelo impeachment o fizeram em “defesa da família”. Nina Bitencourt e Anya, de cinco anos, são uma família. Nina é estudante de Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e, ao levar a filha para uma aula, foi constrangida por uma professora até se retirar. A professora não se conformava com a presença da criança na sala, e não ouviu os apelos de Nina de que aquela era a única maneira possível de assistir à aula.

Na família de Nina, as tarefas são acumuladas: ela estuda para se mover na pirâmide social, trabalha por um salário e cuida da filha e da casa. Assim como para muitas outras mulheres brasileiras que são mães, o regime do gênero exige de Nina múltiplas jornadas de trabalho, sem garantia de divisão de tarefas com homens da família. O intento de Nina é o do cuidado e da sobrevivência. Quando diferentes jornadas se cruzam no tempo — cuidar de Anya e assistir a uma aula na faculdade, quem sabe explicar a um patrão que adoecimento de criança não respeita horário comercial —, Nina corre risco de exclusão, de ouvir que a universidade e o mundo do trabalho não têm lugar para ela.

Nina nos faz perguntas: “A realidade da minha cidade é a de um município que mais falta vaga em creche pública no Rio Grande do Sul. […] Qual é a alternativa? Que a mãe falte na aula? Que a mãe largue o curso e fique em casa cuidando dos filhos? A alternativa de vocês é que as mulheres que se tornam mães sejam excluídas da universidade?” Se os nobres deputados dedicados à família quisessem responder a ela, talvez tivessem que repensar leis que refletem a desigualdade do gênero no cuidado de crianças, como as de licença-maternidade e paternidade, ou a obrigatoriedade de creches em universidades. Um passo ousado seria pensar a socialização de meninos para a divisão do trabalho doméstico, o que exigiria debater gênero nas escolas.

Em tempos de crise política, a luta de Nina para ser uma mãe na universidade nos lembra que a defesa da família em uma democracia requer mais do que arroubos retóricos em que família não passa de estratégias de fuga ao tema. Exige reconhecer e combater a desigualdade que oprime mulheres nas famílias.

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