‘Quem manda aqui?’: Paulina Chiziane é mais do que uma mulher negra escritora de Moçambique

jul 14, 2016 @ 19:46|imprensa, notícia|

Paulina Chiziane é mais do que uma mulher negra escritora de Moçambique. Quero assim sem vírgulas na descrição de quem quer que ela seja. Não cabe isso de identidades do mundo - ela é Pauline Chiziane, a primeira contadora de história com direito à livro com assinatura própria em Moçambique. Ela também já renunciou aos variados títulos que lhe concederam: feminista tradicionalista espiritista romancista. Recentemente, anunciou: "Não volto a escrever. Basta!". Se fosse branca ou homem, diz ela, "diriam que Paulina é uma grande antropóloga".

E se o menino fosse seu filho?

jul 4, 2016 @ 19:31|imprensa, notícia|

Em 2015, puxei um plantão na unidade socioeducativa para meninas infratoras no Distrito Federal. Apareci por ali para fazer pesquisa, mas terminei convivendo com gente desconhecida. Fiz amizades de todo jeito; uma delas foi com quem eu antes achava ser gente bandida. As unidades socioeducativas já foram chamadas de reformatório ou Febem; hoje, o nome inventado é cadeia de papel: nem tanto cadeia, mas nem em sonho escola. Conheci todas as meninas, absolutamente todas, que passaram por ali em 2015.

Não há como resolver a fissura da droga pela abstinência mágica

jun 23, 2016 @ 18:28|imprensa, notícia|

Em 2015, passei algumas semanas na Cracolândia de São Paulo. O nome é curioso, pois emprega o sufixo de cidades - seria isso mesmo, um território para as pessoas que se juntam porque usam crack. Ali viveriam os crackeiros e, segundo o mapa do Google, o epicentro da Cracolândia se chama Zumbilândia. São os zumbis ou os noiados, o povo da maior cracolândia da América Latina. Nos dias que permaneci por ali, conheci Brenda, uma travesti da rua, agora governanta de um hotel social; conheci um português que veio para a Copa do Mundo e perdeu-se na vida. Há gente diferente, é verdade, mas as pessoas que formam a multidão são parecidas entre si: gente pobre sobrevivente de manicômio ou presídio, povo da rua há tempo largo.

Se houve ou não terror em Orlando, não podemos esquecer do horror homofóbico

jun 21, 2016 @ 18:21|imprensa, notícia|

Notícias têm um roteiro de perguntas a responder: o que, quando, onde, quem, como. Ao longo de um domingo de tragédia, as respostas foram se desenrolando: em uma madrugada de festa latina, um atirador invadiu uma casa noturna dedicada a pessoas LGBT em Orlando, Flórida. O homem abriu fogo contra a multidão que se divertia: matou 49 pessoas, feriu outras 53. Foi morto em confronto com a polícia depois de manter pessoas reféns dentro da boate por algumas horas.

Gays querem (e devem) doar sangue

jun 17, 2016 @ 17:49|imprensa, notícia|

Esse é daqueles temas que se fizéssemos uma pesquisa populacional - "você é contra ou a favor de um homem homossexual doar sangue?" - encontraríamos uma avassaladora maioria dizendo "contra, homossexuais não devem doar sangue". O que moveria essas pessoas? Medo e falta de informação; ou, se posso ser mais rude nas palavras, discriminação e ignorância.

Quase da família,

jun 7, 2016 @ 15:35|imprensa, notícia|

No Country Clube do Rio de Janeiro, babás não podem frequentar o banheiro feminino. Se não sabem ou esquecem disso, uma placa na porta avisa que elas devem usar o sanitário reservado às crianças. Se ainda assim estiverem no banheiro das madames, podem ser convidadas a sair, como aconteceu com a babá que dava banho em três crianças filhas de um sócio do clube. Acionado a partir da divulgação do caso por um jornal, o Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro investigará práticas discriminatórias no clube.

Falsa ideologia, renda e trabalho

maio 31, 2016 @ 19:22|imprensa, notícia|

Em 1963, o ministro do Planejamento, Celso Furtado, no governo Goulart, ao formular o Plano Trienal, fixando disciplina na política econômica e forte ajuste fiscal, foi combatido e boicotado por setores do próprio governo. O ministro San Thiago Dantas, ante a radicalização com o programa de estabilização, conceituou que no Brasil existiam duas esquerdas: a negativa e a positiva. A primeira herdeira, em tempo de guerra fria, dos fundamentos revolucionários da luta de classes. A segunda alicerçada nos princípios sociais democratas e reformistas buscava saída democrática para a crise que mergulhava a administração pública. O epílogo daquele governo é conhecido.

Débora Diniz: “O novo governo se mostrou insuficiente para acolher e proteger as mulheres”

maio 12, 2016 @ 19:46|imprensa, notícia|

A agenda da antropóloga Débora Diniz está sempre atribulada, com palestras e projetos dentro e fora do Brasil. Além das aulas que ela ministra na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília, ela conduz pesquisas na Anis (Instituto de Bioética) e produz documentários. Em comum, todas as atividades têm como foco os direitos das mulheres. Há mais de uma década, Débora se esforça para entender a área para além das estatísticas oficiais.

Documentário mostra mulheres do sertão infectadas pelo Zika

maio 9, 2016 @ 19:39|imprensa, notícia, Zika|

Pelos "caminhos da reportagem", uma equipe de três jornalistas da TV Brasil embarca para o Nordeste brasileiro para produzir uma série de matérias sobre a epidemia do Zika vírus.

Tortura no Ceará

fev 10, 2016 @ 18:38|Vozes|

O sistema é chamado de socioeducativo, e a Lei 12.594/2012 fala de “integração social do adolescente e a garantia de seus direitos individuais e sociais” como um de seus objetivos. Para os 865 adolescentes que cumprem medida de internação no Ceará, socioeducação tem outro significado: viver em celas superlotadas, sem colchões ou com chão constantemente molhado por infiltrações, sem escola ou atividades educativas, com alimentação precária, sem cuidados médicos para ferimentos, doenças e sofrimento mental e sem contato com a família. Profissionais do Centro de Defesa da Criança e do Adolescentes (Cedeca) cearense descrevem as frequentes rebeliões como “esperadas” diante da sobrevivência nessas condições.