Observatório da violência contra a mulher no Distrito Federal

O objetivo deste projeto de pesquisa foi radiografar a violência doméstica homicida cometida no Distrito Federal entre 2006 e 2011, a partir da recuperação dos laudos cadavéricos produzidos pelo Instituto Médico-Legal (IML) e processos judiciais relativos a mortes violentas de mulheres no período. Os dados coletados mostraram que 1 em cada 3 mulheres assassinadas no Distrito Federal foi morta por feminicídio – ou seja, em contexto de violência doméstica e familiar – e que mulheres negras têm 3 vezes mais chances de serem mortas por feminicídio que mulheres brancas. Para 1 em cada 5 mulheres mortas de forma violenta, o Estado não pôde oferecer resolução investigativa para o homicídio. Esses casos compõem o que chamamos de cifra oculta. Os dados também mostram que mulheres negras têm 6 vezes mais chances de compor a cifra oculta, em comparação com mulheres brancas. Os resultados do estudo foram compilados no artigo de Debora Diniz, Sinara Gumieri e Bruna Santos Costa, “Nomear feminicídio: conhecer, simbolizar e punir”, publicado na Revista Brasileira de Ciências Criminais, n. 114, p. 225-239, 2015.