Prostituição

ago 28, 2015 @ 16:29|Vozes|

Na maioria dos países, a profissão mais antiga do mundo não foi regulamentada. Mulheres, travestis, pessoas trans e homens que exercem trabalho sexual não têm direito a férias, folgas, aposentadoria, auxílio em caso de doença. Não podem formar sindicatos, não podem cobrar serviços prestados e não pagos, nem questionar abusos e más condições de trabalho em casas de prostituição.

Patroas e babás

ago 20, 2015 @ 16:33|Vozes|

Uma apresentadora de tevê branca e loira compartilha uma foto de suas babás negras. A apresentadora elogia as roupas das moças — “descoladas” foi sua palavra. De quebra, elogia a si mesma na estética e nas regras da casa, pois, como patroa, não exige que as moças usem uniforme branco. O que há de errado com uma foto bem-intencionada, tão parecida com outras formas de vida em espetáculo nas redes sociais? Com a foto em si, talvez nada. As moças sorriem, parecem concordar com o clique. É do lado de cá, de quem admira a foto, que a complicação começa. Imagens não são interpretadas no vazio — atraem outras imagens que direcionam o olhar. E o que a foto atrai? Nosso recente passado de sinhás cordiais com escravas negras, nosso presente de hierarquia racial, em que muitas são as babás negras e poucas as modelos negras. A foto feliz nos perturba ao lembrar a desigualdade racista que não temos direito de esquecer, e que nossas boas intenções, sozinhas, não fazem sumir.

Bandidos e STF

ago 17, 2015 @ 16:36|Vozes|

Os três réus furtaram chinelos, sabonetes e bombons, respectivamente. Alguém fez o cálculo do prejuízo total, 94 reais. No Supremo Tribunal Federal, ministros se reuniram, debateram e decidiram que não havia perdão — nos termos da lei, discutiu-se a aplicação do “princípio da insignificância”.

Especismo

ago 11, 2015 @ 16:39|Vozes|

Um espetinho de churrasco, um casaco de pele, uma nova sombra que promete não irritar os olhos, um show com baleias em um parque aquático. O que esses produtos têm em comum? A exploração de animais não humanos.

Liberdade de cátedra

ago 3, 2015 @ 16:42|Vozes|

Era uma vez uma audiência pública sobre aborto no Senado Federal. Em uma mesa com convidadas favoráveis à legalização do aborto, as placas exibiam a filiação institucional de cada expositora: havia universidades, movimentos sociais, institutos de pesquisa, conselho de classe profissional. Eis que surgiu um dilema: para que serve uma plaquinha? Não temos dúvida de que se trata de um simples elemento identificador, mas o deputado Leonardo Quintão achou que a placa teria poderes de censura.